Segurança Viária

Como o envelhecimento da população influencia na segurança rodoviária?

Escrito por Marcelo Raymundo

Diante das melhorias nas condições sociais pelas quais o Brasil passou nas últimas décadas, houve aumento da expectativa de vida e crescimento da população idosa no país. Em consequência, o envelhecimento da população brasileira tem se tornado, nos últimos anos, uma das principais preocupações quanto à segurança no trânsito no país.

A população idosa no Brasil cresce em ritmo mais acelerado do que a média mundial. Mantida a taxa atual, o envelhecimento no país será duas vezes mais rápido do que no restante do mundo — entre 2005 e 2015, o número de pessoas de 60 anos ou mais cresceu de 9,8% para 14,3%. Há a expectativa de que o percentual de indivíduos nessa faixa etária represente 27% dos brasileiros em 2040.

O aumento do número de idosos amplia a discussão sobre a necessidade de a segurança rodoviária estar apta a atender as necessidades de pessoas com idade avançada. Quanto mais velhos ficamos, maiores são os impactos sobre nossa visão, sobretudo com a perda de sensibilidade à luz.

Neste artigo, mostraremos como esses fatores demandam atenção de todos que estão envolvidos em projetos de segurança viária e trabalham para a proteção à vida no trânsito no Brasil. Acompanhe conosco e boa leitura!

Como o envelhecimento da população influencia a segurança viária

Estatísticas de acidentes de trânsito divulgadas pelo Ministério da Saúde, por meio do programa Datasus, indicam o quão impactante é o envelhecimento da população brasileira em relação a maior preocupação com a segurança viária.

Em relação aos dados de mortes no trânsito, a partir dos 60 anos, a taxa eleva-se cada vez mais, partindo de 27,3 mortes para cada 100 mil habitantes na faixa etária de 60 a 64 anos. Quando considerada a faixa etária acima dos 90 anos, são cerca de 86 mortes para cada 100 mil habitantes.

Embora o envelhecimento possa criar limitações para motoristas, o Código de Trânsito Brasileiro não determina um limite de idade para a condução de veículos. Há restrições apenas em relação às condições físicas e psicológicas, que são verificadas em exames médicos realizados a cada três anos, quando o condutor precisa renovar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Todavia, a perda da sensibilidade à luz é um fator prejudicial tanto para motoristas quanto para passageiros. Os usuários de rodovias passam a ter mais dificuldades em enxergar as sinalizações e isso se torna um risco para a sua segurança.

Para aqueles que estão conduzindo um veículo, há maior probabilidade de que cometam falhas na direção devido a perda dos reflexos, podendo assim, se envolverem mais facilmente em acidentes. Já para quem deseja atravessá-la ou caminha às margens de uma rodovia (o qual não é correto mas é uma realidade nas estradas brasileiras), cresce a ameaça de atropelamentos.

Em relação aos idosos que são passageiros, pessoas com idade mais avançada tendem a se recuperar mais lentamente aos ferimentos ocasionados pela severidade de impacto em acidentes automobilísticos do que a população mais jovem. Por este motivo, dispositivos de contenção com maior absorção de energia auxiliam para reduzir a severidade do acidente.

Como preparar rodovias para atender à população idosa

Diante do envelhecimento da população e as melhores condições de vida no Brasil, os idosos passaram a ser mais ativos. Esse cenário é reflexo, ainda, do adiamento da aposentadoria e do preenchimento de tempo com outras atividades. Portanto, projetistas devem ter atenção ainda maior ao uso dos elementos de segurança viária para proteger os usuários de rodovias.

Em relação aos idosos que conduzem os veículos, as rodovias devem estar sempre bem conservadas e ter sinalizações mais claras (com maior retrorrefletividade) e bem posicionadas, conforme as normas, ao longo dos trechos. Esses fatores auxiliam para mitigar os riscos gerados pela maior dificuldade em visualizar faixas e placas, assim como para distinguir cores.

Preocupação com acessibilidade

Já em relação aos idosos enquanto pedestres, deve haver uma preocupação em evitar atropelamentos. A locomoção mais lenta e a dificuldade de concentração, além da perda auditiva e de visão, são fatores que os expõem a mais riscos, principalmente em trechos de rodovia mais próximos às áreas urbanas.

Dessa forma, é imprescindível que os projetos de segurança viária considerem a necessidade do uso de passarelas, para que os idosos e demais usuários da rodovia possam atravessá-la sem riscos de atropelamento.

Para os idosos, é ainda mais importante que haja respeito à acessibilidade para passarelas e pontos de ônibus que estejam posicionados às margens das rodovias e fora da zona livre. O uso correto de zonas livres, por exemplo, permitirá que o motorista corrija uma eventual falha na direção e retome o trajeto reduzindo os riscos a pessoas que estejam nas proximidades da pista.

Em idosos, as consequências de atropelamentos são mais graves. As complicações de saúde e o maior índice de osteoporose podem fazer com que fraturas mais simples ou ferimentos aparentemente não tão graves se tornem obstáculos para a recuperação médica.

Todos os envolvidos em projetos de segurança viária devem sempre procurar meios para mitigar os riscos de acidentes e ampliar a proteção à vida. A preocupação em oferecer mais segurança aos usuários de rodovias não se restringe apenas ao Brasil.

Para a evolução de saúde e bem-estar em todo o mundo, a ONU estabeleceu 17 objetivos para “transformar o mundo”. O terceiro deles determina “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades“.

Essa meta está diretamente relacionada à segurança viária, uma vez que a intenção é, até 2020, reduzir pela metade as mortes e os ferimentos globais por acidentes em estradas. Assim, foi lançada a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020.

Permitir que os idosos e demais usuários trafeguem em segurança pelas rodovias, seja na condição de motoristas, passageiros ou pedestres, é fundamental para que os índices de acidentes fatais sejam efetivamente reduzidos.

Portanto, desperte a atenção de mais pessoas para a importância desse assunto e contribua para o aumento da segurança rodoviária compartilhando este artigo em suas redes sociais! O que acha da ideia? Até o próximo post!

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